
Gurias engajadas na campanha da RBS "Crack Nem Pensar"
Mariana Aguirre
Futebol é a cara do Brasil. Alguém já disse isso. Apesar de clichê, ela realmente pauta a vida da maioria dos brasileiros. E uma rápida consulta ao site de busca Google encontramos aproximadamente 10,8 milhões de resultados para a palavra.
Por ser assim, tão presente no cotidiano do país, a imprensa procura sempre uma forma diferente de noticias os gols de uma rodada do Brasileirão, por exemplo.
Em 2006, ano do evento máximo do futebol, a Copa do Mundo, Sergio Ludtke, então editor-chefe do clicRBS propôs a criação de um blog escrito só por mulheres, para que o público tivesse uma visão feminina da competição. No dia 22 de maio daquele ano foi ao ar o Clube da Bolinha, que deu tão certo que continua até hoje.
Nos três anos de existência, o blog chegou a ter sete meninas no comando, hoje são cinco, que recebem de 250 mil a 350 mil visitas por mês! Tatiana Lopes, 24 anos, está no Clube da Bolinha desde o início.
Na cobertura do dia-a-dia, que é principalmente em cima da dupla Gre-Nal, a jornalista afirma que os jogadores são simpáticos e muitas vezes são até mais acessíveis quando falam com as repórteres mulheres e que não aparecem tanto na mídia.
— Nunca tivemos problemas, sempre conseguimos o que queremos fazer nos estádios, até as pautas mais inusitadas, como fazer um jogador ler um poema, lembra Tatiana.
Meninas em ação
Ir aos estádios acompanhar treinos é rotina para as meninas do Clube da Bolinha e é de lá que surge um pouco de hostilidade. Olhares tortos de alguns colegas homens e dos torcedores, “mas nada que atrapalhe”, diz a blogueira.
Se um blog é um canal fácil de informação, com possibilidade de diversas atualizações diárias, por outro lado, a proximidade com o leitor pode ser um tanto complicada. No começo os leitores não eram nada receptivos com o fato de meninas estarem falando do assunto sagrado: o futebol.
— Nos mandavam ir para o fogão ou então lavar a louça. Diziam que não sabíamos nada de futebol. Hoje a agressividade mudou. Eles contestam as opiniões pelas divergências, porque pensam outra coisa, não concordam com aquilo, enfim. Não mais por sermos mulheres, encerra Tatiana.
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